07 de Abril, dia do Jornalista

7

Dia 07 de Abril se comemora o dia do Jornalista. Todo ofício, ou praticamente todo exercício de ofício tem sua data, senão comemorativa, mas reflexiva, a exemplo do dia do Goleiro, que é comemorado no dia 26 de abril.

Tem o dia do advogado, dia do médico, etc, etc e etc. O dia do etecetera ajudaria no lide, mas como não exerce influência, não derruba governo e nem elege vereadores, ao menos objetivamente, então seu dia passa no vazio.

Só no mês de abril se comemora 14 outros dias. Além do Jornalista e do Goleiro, temos os Médicos Legista e Obstetra, Diplomata, Empregada Doméstica, Metalúrgico, Policiais Civil e Militar. Tem o dia do Office-Boy, que já desapareceu das carteiras profissionais, substituído pela internet e aplicativos. Enfim, como disse, comemora-se dias para todos os ofícios, sem distinção ou discriminação.

Segundo a teoria, o resultado da produção jornalística resulta ou deveria resultar num bem social. A informação jornalística é um bem social. Ocorre que a sociedade e os seus mecanismos de interação se desenvolveram a tal ponto, que o bem social, ou parte dele se transformou num commodities, operado inclusive na bolsa de valores.

Do ponto de vista histórico, vale ressaltar a razão do dia do Jornalista. Segundo o professor de ética jornalística Marcel Cheida, e mestre de praticamente todos os Jornalistas formados na região de Campinas nos últimos vinte anos, a data nos remete a eventos políticos que fundamentam a celebração desse dia.

Invoco os poderes da ABNT nesse paragrafo para a explicação histórica. De acordo com CHEIDA (2019), “Dia do Jornalista, 07 de abril. Data da fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 1908, e também da abdicação de D. Pedro I, em 1831, que deixa o Brasil no meio de uma grave crise política e econômica, herdada pela regência e pelo filho D. Pedro II, então com seis anos de idade. Qual a relação dessas datas? É que em novembro de 1830, um jornalista, Líbero Badaró, sofreu um atentado. Editor do jornal O Observador Constitucional, fundado um ano antes, Badaró tinha iniciado uma campanha em favor de estudantes de Direito que protestavam contra o regime monárquico brasileiro. É que os estudantes, como também Badaró, manifestaram-se em favor da derrubada do rei da França, Carlos X. E agentes do governo paulista reprimiram e processaram vários deles. Badaró era um constitucionalista, de perfil liberal, opositor ao governo monárquico.

O episódio do atentado, que levou Badaró à morte, incendiou os ânimos contra o governo imperial. Os boatos apontavam D. Pedro I como possível mandante. O caso resultou na abdicação de D. Pedro I. Assim, o dia 07 de Abril associa a fundação da primeira organização representativa da profissão com um episódio no qual o jornalismo e os jornalistas foram protagonistas da história.

Para lembrar ainda o papel do jornalista em desvendar a nossa sociedade, a foto do João do Rio, jornalista e escritor, pioneiro na reportagem de rua, cuja obra permanece atual”

Para “perorar”, e, em homenagem as antigas redações, esfumaçadas e letradas, dois quartetos extraídos de uma das obras mais instigantes de João do Rio (Paulo Barreto), A Alma Encantada das Ruas. Como qualquer Jornalista que se pretende é na Rua onde se explora o melhor das matérias primas, a história. Bora então:

“Adeus, ó Rua Direita

Ó Rua da Murmuração

Onde se faz audiência

Sem juiz nem escravidão”

Segue ainda;

O meu peito é uma rua

onde o meu bem nunca passa,

É a rua da amargura

Onde passeia a desgraça”

  Saravá a todos os Jornalistas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui