Essa crônica não é um ensaio do famoso livro do Mestre Anandes da Areias, é uma compreensão, dentre as infinitas acerca da capoeiragem.
Parece fácil falar de capoeira, mas não é. Não é fácil nem mesmo para quem está imerso na prática há décadas, ou a meio século como é o caso de muitos mestres e mestras. A compreensão do leigo ao ouvir e ver a capoeira é logo associada a uma luta-dança criado por negros escravizados no passado. Está compreensão está correta, mas é superficial e parcial.
Mas em se tratando do capoeirar no cotidiano, sem a superficialidade e a parcialidade do senso comum, o riscado na capoeiragem é uma conversa séria, que deve ser considerada e entendida como uma prática complexa, quer por praticantes iniciantes quer pelos inveterados. Do capoeirista de academia ao detentor-difusor que se dedica ao ensino. A valorização e a preservação da capoeira é um exercício de todos, e liderados pelos mestres do oficio.
A capoeira, a capoeiragem ou o capoeirar é sempre uma prosa que exige fundamento, esse por sua vez só é possível para quem faz da capoeira uma vivência cotidiana, um modo de ser e viver, o que implica dizer dedicação, constância na prática, tanto nos treinamentos regulares como na frequência das rodas, cursos, eventos, viagens, e o mais importante, a construção dos laços de sociabilidade, de que sempre fala o historiador Luiz Antonio Simas, ao referir-se de uma das características das práticas afrodiaspóricas. Para os mestres do oficio o capoeirar é uma das virtudes de fazer belas amizades.
Volto a pergunta do título, o que é a capoeira? Não se trata de uma propaganda do livro do mestre Anandes das Areias publicada pela editora Brasiliense na década 80, mas se fosse não seria problema. O livro e os pensamentos do mestre são excelentes. Trata-se apenas de uma das dimensões por onde a capoeira opera, a sociológica. A capoeira é a arte de se relacionar e de fazer novas amizades. Quem pratica sabe, Asé.
