A Cidade na Rua

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Hortolândia 17 de fevereiro de 2022. Tvs, rádios, portais de notícias e as redes sociais noticiam e difundem, novamente, a tragédia na cidade de Petrópolis região serrana do Rio de Janeiro. Coincidência ou não, há exatos dois anos na mesma data eu estava em Petrópolis para um evento cultural. Logo pela manhã o facebook rememorou a visita a cidade imperial.

Abre aspas. Diferente do que se pensa, a cidade não é um amontoado de concreto simetricamente organizada com ruas asfaltadas, administrada por uma gestão eleita há cada quatro anos. Muito mais do que isso, a cidade é antes de tudo um ser vivo pulsante, que manifesta uma variável cultural de vidas responsável pela identidade e características desse território.

“A cidade é cenário de história, mas também é protagonista de muitas outras histórias.” Luiz Antonio Simas.

A cidade é para mim uma missão, viver sobre seu chão e sua rua é devoção, quer na dor, quer no amor. Fecha aspas. Consternado com o nó na garganta ouço depoimentos de homens e mulheres sobre perdas de entes e pertences em razão da força das águas. Ela desce rua abaixo destruindo casas e varrendo vidas. Ao mesmo tempo, com uma velocidade infinitamente menor das águas, políticos ensaiam retóricas numa tentativa de dar solução ao insolúvel e prometem, de novo, ações fictícias de prevenção.

Quem paga a conta é a população pobre, tem sido assim há séculos. A cidade imperial que o diga. As ruas de Petrópolis derramam lágrimas mais uma vez. Franco da Rocha, Capivari e Monte Mor em São Paulo também sofrem com a falta de políticas eficientes de habitação e de prevenção aos desastres. Itabuna na Bahia ainda chora as consequências de sua tragédia. Histórias recentes com protagonistas mesmo sob diante das adversidades constroem e reconstroem histórias e memórias de suas cidades.

O conforto é saber que existe a rua, para onde sob qualquer circunstância se pode correr, quer para chorar ou celebrar a vida. A rua abriga a cidade pulsante que multiplica vida, teimosa que é. Ainda bem. Salve as cidades que choram suas perdas.

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