Expressinho Futebol da Vila Nova

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Havia em Campinas um time amador que revelava talentos. Expressinho Futebol da Vila Nova. Existiam várias categorias, do fraldinha ao juvenil. Os treinos aconteciam aos sábados nos campos de areia da lagoa do Taquaral. Os jogos eram realizados aos domingos.

Na semana posterior aos jogos, seu Orido, carioca radicado em Campinas, presidente e treinador do Expressinho enviava a redação do Diário do Povo os resultados de todas as partidas; escalação, relação do banco de reserva, os autores dos gols, nenhum nome ficava de fora.

Imagine para um garoto de 13 anos ver seu nome no jornal todos os domingos. Me chamavam de Neto, não por conta do craque bugrino; é porque havia três Lucianos, eu, o Fabio Luciano, que viera a se tornar profissional e um outro que me corre inclusive a fisionomia.

As notícias do Expressinho aos domingos no Diário do Povo estimulavam os adolescentes a lerem o Jornal. Todos queriam ver seus nomes e seus feitos no matutino. Aquilo servia de alimento que sustentava a vontade adolescente de conquistarem as glórias oriundas do futebol.

Escrever notícias no futuro parecia sem graça e não pareceria nenhum pouco com os feitos do futebol. Ninguém pensara ou desejava tornar-se jornalista, nem eu. O hábito da leitura do jornal, no entanto, começara naquele momento.

Como eu escrevi há pouco, somente um jogador do glorioso expressinho tornara-se profissional de verdade, Fabio Luciano; Ponte Preta, Corinthians, Europa, Flamengo e Seleção Brasileira, uma glória experimentada por poucos.

O restante daqueles atletas, adolescentes entusiastas no vigor dos 13 e 14 anos não tiveram êxito. Alguns tentaram, como eu, outros abandonaram precocemente a carreira ainda aos 15 anos.

De todo modo, aquele estímulo dominical se não iniciaram a maioria no universo profissional da bola, ao menos desenvolveu o costume a leitura e a escrita, não que seja um feito comparável aqueles da bola rolando na grama, mas é de uma relevância capital para os nossos dias.

Daquele tempo, além das lembranças futebolísticas dos jogos e campeonatos ficaram as capas do extinto Diário do Povo, que a exemplo do Expressinho da Vila Nova compõem parte das memórias de Campinas, pelo menos para alguns. Bom domingo. Fique em casa.

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