Memória. Violência no Jardim Amanda

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Me recordo de um episódio marcante no início da década de 90. O período era de eleição e o caminhão para o comício estava montado no campo raspadão do Inter Junior no Amanda II. Era domingo à tarde, fazia aquele friozinho de junho. Estávamos em quatro na ocasião.  As pessoas iam chegando, se aglomerando para assistir à atração cultural. O evento político era do candidato a prefeito Jair Padovani e a atração seria o grupo de samba campineiro Claves de Ases.

Antes do grupo subir no caminhão, se ouve tiros. Naquele tempo haviam poucas casas e era possível observar a movimentação nas ruas de baixo, do lado e de cima. Enfim, na esquina debaixo, num desses botequins nosso de cada dia, se ouve dois estampidos, dois tiros. O barulho chama atenção e os olhares se dirigem ao boteco. A correria no estabelecimento é geral, uma confusão e gritaria.

No meio daquele furdunço saem dois sujeitos, um correndo atrás do outro. O de trás com arma em punho disparando naquele que estava na frente. Os dois desaparecem na trilhazinha do terreno baldio em meio as casas inacabadas.

Na sequência a atenção de dirige para o interior do botequim, dessa vez a correria é para dentro do estabelecimento. De novo, gritaria, zunzum e desespero. No chão um amandense caído. Sua cabeça descansava sob uma poça de sangue. Sofrera um disparo mortal. Relatos dão conta que fora baleado por engano. Estava no lugar errado na hora errada.

Moral do fim do dia, como muitos outros. O showmício foi cancelado. As pessoas antes de partirem para casa, passavam pela cena, faziam o sinal da cruz como se despedisse no falecido, e na sequência apertavam o passo porque a policia estava chegando.

O Jardim Amanda é assim. Um lugar de lembranças, histórias e memórias. Não se pode ignorar, e nem esconder o fato histórico de que no Jardim Amanda a violência conviveu com seus moradores de forma marcante e cotidiana. E entenda violência não somente aquela física que deixa marcas no corpo, causando dor e morte. Me refiro também a violência social, ambiental e estrutural que ainda perdura no bairro.

Enfim, O Jardim Amanda tem a fama de um bairro violento. Quem não mora e não conhece suas ruas tem a impressão de um bairro perigoso. Quem já não ouviu e viu um olhar de espanto ao ser informado que somos moradores do Jardim Amanda? Já perdi as contas

Só quem é do Amanda e tem a intimidade com suas ruas, sua dinâmica sabe o quanto esse bairro é uma escola para a vida. Sim! Foi violento é violento como qualquer bairro da periferia de uma região metropolitana. Essas histórias e lembranças compõe um acervo de memória do bairro, e tem o objetivo para o bem ou para o mal, de ensinar algo.

Até semana que vem.

Fotos: Acervo Mauricio Vicente

2 COMENTÁRIOS

  1. Eu me lembro muito bem, naquela época,quem iria morrer tinha o nome escrito e colado na entrada do antigo mercado komoda(atual poupar),quem era jurado de morte.
    Me lembro também da antiga associação dos moradores do Jd Amanda,que ficava ali na rua do caic,que tinha como presidente o famoso piranga do material de construção piranga,era um cômodo escuro com iluminação precária,com umas cadeiras de ferro,de madeira e uns bancos improvisados,no começo ficava lotado,se não me lembro era toda semana as terça feira a noite,as 8 da noite,nos reuniamos para discutir os problemas do bairro,sobre segurança,saneamento, sobre os acontecimentos da semana que havia passado,eu ia com meu pai (finado Sr Antônio português da oficina TONAUTO), lá sempre estava o finado Nunes,o Joabe da J tintas,o Figueiredo da foto, o mineirinho,o jomar da sorveteria,o Carlão do restaurante,enfim,os comerciantes do bairro e moradores influentes,a lagoa era limpa,dava pra nadar,mas era muito perigoso passar por lá a noite, porque a bandidagem sempre tava na rua.
    Enfim,bons tempos aqueles….

  2. Eu me lembro bem dessa epoca ,morreram muitos amigos de infancia meu de tiro ,Camelo, Pedrinho, Danilo,Guina, bebe mais alguns ai, hj em dia um bairrao, muito bonito por sinal, porém me lembro como se foce hj ,as veses se topava com uma rodinha de gente na esquina com um corpo coberto por jornal caido próximo ao reguinho q margeavam as sargetas ou dentro de um boteco, meu pai tinha uma wv brasilia marrom q era a ambulância do quarteirão, pois poucos tinham carro ,nessa época anos 80,90, realmente o bairro foi uma facudade da vida pra mim, ou andava certo, ou entortava de vez, pois a molecada que queria ir pro crime ,tinham fartura em quem se espelhar, porem tinham as partes boas, brincavamos nas ruas de terra de bets,cai no poço, polícia e ladrão até altas horas da noite e ninguem nos roubavam kkkkk, bebi muita agua na bica do campinho de futebol, atras da escola do amanda 1 boas lembranças.

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