Nos Caminhos de Doné Eleonora, a obrigação

36

Inicialmente a ideia seria escrever uma homenagem em respeito e gratidão à Mãe de Santo “Doné Eleonora”. Por ter convivido em sua companhia, por me possibilitar caminhar por terreno antes nunca caminhado, ao menos por um significativo espaço de tempo.

Ao iniciar o processo da escrita em homenagem a Doné percebi uma coisa. Percebi que uma só crônica não daria conta das histórias e das memórias registradas com a mãe de santo. São muitas, das pedagógicas às triviais, das engraçadas às dramáticas. Não seria possível demonstrar essa gratidão escrevendo somente uma crônica. A vida de Doné merece contos, merece um livro, quem sabe.

A intensidade da sua vida, da sua luta não é equivalente a uma crônica por mais bem intencionada e bem escrita, por quem quer seja. Não seria possível resumir sua trajetória no terreiro, na rua, na cultura e na política somente com uma crônica.

De modo que a partir de agora, inicio minha obrigação, à revelia dos oráculos e da feitura no candomblé. Descobri e que foi me dado, primeiro com os avisos de Doné e Dona Padilha, e que mais tarde me foi ratificado como uma missão espiritual, num tratamento de apometria no kardecismo. Daquela vivência temporária veio a mensagem. Nada que Doné e Padillha já não tinham dito muito antes, repito.

Preto véio desceu e disse que o meu lugar não era ali, é num Ilê. Preto Véio desenhou um tridente, uma espécie de carta de indicação que levei até Mãe Eleonora. Fiz o ebó, fiz o bori, e agora com o encantamento de Doné é necessária uma imersão na espiritualidade dos batuques e deleitar-se mais uma vez a luminosidade dos caminhos, e aproveitá-la.

“Você tem talento, não desperdice” disse Doné há muito tempo. Os Caminhos estão abertos, faça a sua obrigação até que os dedos se cansem, até que as pernadas sejam possíveis. Asé, Mojuba Doné, estamos juntos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui