O Grito do Gênio, segundo Cony

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Coube ao imortal Carlos Heitor Cony (In Memorian) a tarefa de prefaciar a edição em português do livro Os Jornalistas da editora Ediouro publicado em 1999 no Brasil. Diante da obra Cony se apresenta como uma espécie de facilitador; um intermediário do pensamento de Balzac no Brasil, ao menos no que se refere à obra Os Jornalistas.

Não que os homens da letras da contemporaneidade, principalmente jornalistas, alheios a Balzac não compreenderiam o diagnóstico. É sempre de bom tom alguém com envergadura balzaquiana, em todos os seus aspectos descritivos, deixar a coisa no coloquial.

Cony foi o quinto ocupante da cadeira nº três da Academia Brasileira de Letras desde maio de 2000 e faleceu em janeiro de 2018. Detentor de um portfólio extenso percorreu diversos tipos de redação, do impresso à Tv e finalizando sua participação no rádio.

De acordo com o entendimento balzaquiano prefaciado por Cony, o exclusivismo do Jornalista é tanto que sequer se consagrou como um tipo descritivo e narrado na grande obra a Comédia Humana, poderia, mas não foi. O Jornalista fora poupado, será?

No coloquial, Cony concede as honras, algumas afirmações provocativas, ou axiomas ilustrados semanticamente ao longo das páginas de Os Jornalistas.

“Para o Jornalista tudo que é provável é verdadeiro”

“O jornal é o jornal, o homem político é seu profeta. Ora, os profetas são profetas muito mais por aquilo que eles não dizem do que por aquilo que eles disseram. Não há nada de mais infalível do que um profeta mudo”.

Todo crítico é um autor impotente, compreende a regra do jogo sem poder jogar”.

São afirmações que no mínimo exigiria um contraponto, e na medida certa implicaria um certo tempo de reflexão e elaboração, o que falta em grande escala aos jornalistas, atualmente enclausuradas em regimes home office, afogados em browsers do google e do wikipédia. Os tempos jornalísticos são outros, mas o tipo característico persiste, sobretudo o presunçoso.

Balzac não tinha como meta a moral, como caracteriza os pensadores do seu tempo. A sanha desse francês das luzes foi a observação dos tipos. Observou-se também como um exímio cientista que foi. Dissecou os vícios e caprichos da alma humana, muito mais que as virtudes. Por aqui exerceu grande influência em Machado de Assis, por quem tinha como o representante mor das alegorias irônicas e anedóticas das letras.

Para Balzac a virtude foi sujeito a ser revelado na sua forma mais primitiva. Dissecado e exposto em praça pública, guilhotinado e julgado no plenário da opinião pública e da literatura. Dessa forma, Cony conclui sua participação invocando mais um dos axiomas de Balzac “Se a imprensa não existisse, seria preciso não inventá-la”. Nesse caso então, como ficaria o Jornalistas?

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