Segunda e última parte do primeiro parágrafo

99

Dos Jornalistas aos “mídias” A tentativa vã de dissecar a dialética das práticas pueris de um jornalismo balzaquiano

Conforme anunciado na linha fina, esse exercício permanente de tentar dissecar o pensamento balzaquiano, acerca dos jornalistas e por osmose, o jornalismo é missão despretensiosa de entender o sentido da obra sem o juízo da análise literária. Sair do clichezão gastado da observação crítica é um esforço para flanar sobre os axiomas demonstrados por Balzac, ao longo das caracterizações sobre esses senhores das penas. Repito, é uma tentativa.

É também uma tentativa de extrair o humor contido na obra. Os Jornalistas de Balzac podem oferecer algo mais, e dessa forma contribuir para a compreensão de uma vez por todas, da função de fato do Jornalista. Senão através do tempo da França Fraternal, Igualitária e Solidária, ao menos para esses tempos de lacração e cancelamento na Globosfera.

O imperialismo cultural da imprensa destacado no parágrafo referido por Balzac está relacionado ao poder absolutista exercido por Jornalistas e Jornaizinhos sobre a sociedade francesa. Exercício que só era possível graças a relação estreita estabelecida entre “Mídias impressas da época” e o “Poder” institucionalizado.

Essa imprensa sempre existiu muito antes do surgimento revolucionário dos bonapartistas. Afinal de contas, os benefícios e banquetes disponíveis como contrapartida são tão tentadores quanto as orgias promovidas com recursos públicos e humanos. Apartamentos funcionais naquela época estavam localizados em palacetes imperiais de fazer dó a qualquer bispo da atualidade. Qualquer semelhança com órgãos da grande imprensa brasileira, e uma cepa de jornalistas, não é mera coincidência, é um fato histórico e recorrente.

Outro aspecto bastante interessante, mais sabido por quem opera o jornalismo, e por aqueles que atenciosamente acompanham a produção jornalística com uma lupa é a idéia de que a imprensa influi na condução de fatos que afetam a realidade do povo.  É o quarto poder como foi classificado. Sim, não é raro a intervenção editorial nos rumos que as ruas tomam a cada tempo. No Brasil os exemplos não faltam.

“Uma folha de papel, frágil…” pode compor um significado capital ao um governo, a um presidente. De novo, no Brasil não faltam exemplos, não é só na França de Balzac. A folha de papel, ainda mortal para um governo, foi substituída por aparelhos celulares que exigem o máximo de síntese do emissor. Com 140 caracteres no Twitter, o indivíduo não só expurga do poder presidencial um infeliz, como pode causar uma hecatombe da Bolsa de Valores. Mas! Não subestime o poder do papel, Temer quem o diga, fez ele um ótimo uso do reciclável e teve participação nevrálgica na destituição da primeira Presidenta do país.

Para finalizar essa análise paragrafal, a nota do autor resume numa frase, provocativa, donde vem o poder do jornalista.

Muito se presumia que esse poder tivesse origem na articulação de forças sociais distantes do poder público-imperial. Primitivamente se imaginava vir da comunicação de correntes elétricas que trafegam por nervos cerebrais; ou talvez por sistemas mais complexos localizados abaixo na linha do esôfago. Enfim, nenhum sistema, nem outro.

O poder das letras dos Jornalistas vem de algo que está além da compreensão humana, é divino, inquestionável como a própria obediência devida, como a própria existência do todo poderoso. Desce das Tulherias paradisíacas, e que em certo período esquadrinhou o palácio de Catherine Médicis. Como vê, os Jornalistas precede o paraíso, segundo a nota do autor. Talvez tenha origem na maça do pecado. Vai saber.

Na próxima crônica, do segundo parágrafo, a tentativa de entender a má consciência dos jornalistas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui