Seja malandro, não caia em arapuca

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A Lava Jato se transformou num dogma e arrebanhou mentes e corações de jornalistas e advogados acríticos.

O lavajatismo é um dogma para setores da grande imprensa e jornalistas. A falta de questionamentos e apuração sobre a metodologia empregada e revelada em “conversas de botequim” fustiga o senso crítico dos mortais, e ruboriza o estudante de jornalismo e de Direito nas universidades.

Se para a população alheia à “produção jornalística” a Lava Jato se converteu numa espécie missão religiosa, e seus integrantes alçados a anjos do Apocalipse, compreende-se esse tipo de fenômeno massivo, danoso, e que por sinal é comum, haja visto a quantidade de igrejas e igrejinhas financistas espalhadas no oceano estrelado da galáxia.

O que não se pode compreender é a conversão de jornalistas a essas igrejas sem que tenham tido a deferência do exercício crítico elementar reservado ao bom jornalismo.

Se a imparcialidade e distância de um magistrado sobre um processo perdeu a seriedade, o que se pode concluir de um jornalismo e de jornalistas que deixaram de fazer o óbvio do ofício?

A reflexão é sempre uma amiga da prudência e do bom senso, além do impedimento do passamento da vergonha pública. A leitura fichada de um jornalista é pressuposta para que se verbalize ou escreva o gênero informativo que lhe convém, ainda que dourado da tal isenção, aquela mesma assentada presumivelmente no exercício da magistratura.

Diante desse quadro é necessário que jornalistas, parcela interessante deles, saiam do quadrado das baias das redações; aprendam e descubram a operação do jornalismo no campo da malandragem, da rua, como ensaiou João do Rio nos morros e cabarés na cidade de São Sebastião, apelidada como cidade maravilhosa.

Como diz o filosofo-poeta das ruas; seja um observador de si mesmo para não se perder na escuridão sem lua dos becos e vielas. Seja malandro, não caia em arapuca.

Foto Ilustrativa: Cena de “Ópera do Malandro”, filme estrelado por Edson Celulari no papel de Max Overseas; a obra é uma adaptação de Ruy Guerra da peça homônima de Chico Buarque de Hollanda

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