Todo dia é dia do Samba

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Não! Não passaria batido, nem se quisesse, afinal, o samba me pegou.  “…O dia 2 de dezembro é um dia muito bonito, todos pretos se reúnem meu Deus do céu para Saravá São Benedito…”

Essa frase compõe a abertura de um Ponto de Jongo do Quilombo de São José em Valença, interior do Estado do Rio de Janeiro. A letra original faz uma referência ao dia 13 de maio, dia da assinatura da abolição no Brasil.

“Moro na roça iaiá, nunca morei na cidade, compro jornal da manhã, pra saber da novidade” O Jongo empresta ponto ao samba faz tempo, a grande mediadora dessa demanda foi Clementina de Jesus, natural de Valença.

O samba é parte da cultura afro-brasileira, e uma de suas características, o que lhe imprime riqueza, são suas variações, sua multiplicidade expressiva encontrada em várias regiões do país. O samba é assim, ele anda em região por região para determinar identidade, traços e ritmos.

O samba urbano é o mais proeminente e floresceu nos morros e ruelas do Rio de Janeiro. As escolas de sambas, os terreirões como Cacique de Ramos, os famosos compositores e sambistas do passado como Cartola e do presente, como Paulinho da Viola caracterizam o samba carioca ou o samba urbano.

Ao passo que o samba de Bumbo tem seus traços nas zonas rurais do interior do Estado de São Paulo, ou o Samba de Coco de Pernambuco derivado de Olinda e outras regiões do Estado. Bom! Por ora fiquemos por aqui, porque do contrário, o samba deixa de ser uma crônica, para se transformar num artigo.

O primeiro samba a ganhar a fonografia foi “Por Telefone”, de Donga e Mauro de Almeida concebido em uma das famosas Casas das Baianas, no caso, a casa de Tia Ciata.

Enfim, Toda essa construção gramatical para dizer e corroborar com uma hipótese de que gosto muito, e a compro como uma verdade sacramental, de que o samba não é só um ritmo ou uma coreografia. Muito mais do que isso, o samba é um complexo cultural que envolve maneiras de você celebrar a vida; celebrar seus mortos; maneiras de você se vestir; maneiras de você matar; maneiras de você morrer. Há um complexo que envolve o samba no Rio de Janeiro, diz Luiz Antonio Simas, autor em parceria com Nei Lopes de o Dicionário social da História do Samba.

Essa hipótese empregada ao samba, pode com muita clareza ser emprestada a outras manifestações e expressões culturais, principalmente à capoeira, que a exemplo do samba, determina o modo de pensar, ser e agir na sociedade. Portanto se trata de uma filosofia de vida, e uma filosofia muito ligada a alegria e ao corpo.

Dito isso, o que dizer mais a respeito do samba. Na adolescência acordava ao som de Zeca Pagodinho, Martinho Vila, Agepe, Almir Guineto, Beth Carvalho. Ia para a escola cantando samba. Voltava da escola cantando samba.

“Samba, você não perde o prazer de cantar…” FdQ.

Saravá ao povo do Samba.

Foto em Destaque

Foto principal: Meramente ilustrativa, still do histórico documentário Partido Alto (1976), de Leon Hirszman: na foto, o portelense Candeia, com seu indefectível chapéu, e, tenho quase certeza, um jovem Tantinho…

 

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